Como todos sabem o HeavyMetal, apesar de ser um dos estilos musicais mais vendidos em Portugal, é, simultaneamente, o mais criticado, talvez por isso mesmo. Altamente polémico, idolatrado por uns, massacrado por outros, esta corrente musical tem sabido manter-se sempre na crista da onda, ou seja, no topo da popularidade e, inclusive, vendo cada vez mais aumentar o número de fãs. É o único estilo de música indiferente às modas e preocupações de consumismo imediato, o que faz com que seja tão amado e odiado.
A revista METAL HEART quer ser um veiculo de transmissão de todos estes valores e assumir essa diferença estética como meio de divulgação de HeavyMetal, através de uma equipa redactorial constituída por fãs da velha e nova guarda, capazes de dinamizar e transmitir esse espírito verdadeiramente único e inigualável que só nós sabemos destrinçar.
Como apreciadores de um estilo de música segmentado como é a metal music, constituímos no mercado um padrão diferente no que toca aos hábitos de consumo. Ou seja, vincamos esse diferenciamento através de um modo muito característico: um fã de HeavyMetal não compra um disco, colecciona-o; não vai a um festival, vai em peregrinação; não pede um autógrafo, pede uma assinatura com dedicatória. Nós, enquanto consumidores activos, compramos um disco sem o ouvir e procuramos mais discos de fundo de catálogo, do que qualquer outro apreciador de música.
Somos resistentes e combatentes, não olhamos a meios quando queremos ver as nossas bandas favoritas. Participamos nos passatempos mais inacreditáveis só para conseguirmos estar dez segundos com os nossos ídolos, para além de gastarmos fortunas em todo o tipo de merchandising, de discos piratas ao patchemais arcaico. Os concertos (mesmos se integrados em festivais) são uma espécie de missa com todo o fervor que nós lhes acrescentamos. Ir a um concerto é um estado de afirmação, algo que não se explica…
E, é particularmente nos concertos ao vivo, onde toda a imprevisibilidadeestá associada à música, que nos leva a ir a concertos, mesmo se é longe; se é caro ou se demoramos dias num autocarro a lá chegar…
Os concertos são uma espécie de missa com todo o fervor que nós lhes acrescentamos. Por isso é que nós nos distinguimos – enquanto público consumidor – dos outros apreciadores de vários géneros musicais.
A música tem um papel fundamental na sociedade, mas tem ao mesmo tempo vários papéis e vários graus de importância para diferentes grupos de pessoas. Como forma de comunicação por excelência, por vezes é o expoente máximo da cultura dos povos ou simplesmente a mais bela manifestação de matemática aplicada; se é certo que há uma hegemonia mediática de certos estilos musicais em que a musica é apenas um dos ingredientes que compõem um produto de entretenimento como acontece com o mundo da pop music. A verdade é que, ao mesmo tempo, a música está presente como suporte e até alavanca de promoção de praticamente tudo o que nos rodeia.
Mas não é só a música (improvisada) que tem outro sabor quando consumidaao vivo, como todos sabemos, por isso façam a experiência junto dos vossos amigos: peçam-lhes para fazer uma lista negra dos 10 concertos que mais gostaram. O resultado vai surpreendê-los: cada lista será radicalmente diferente das outras e talvez não figurem em nenhuma delas aqueles concertos que mais vos marcaram. A razão é simples, ou, por outra, há várias razões para isso acontecer, todas muito fáceis de entender. Para já, nem sempre os concertos que recordamos com mais saudade correspondem aos grupos que habitualmente preferimos. Todos nós já ficámos desiludidos com prestações dos nossos ídolos e, em contrapartida, já nos aconteceu ficar agradavelmente surpreendidos com concertos dos quais não esperávamos grandes coisas.
É precisamente esta imprevisibilidadeda música ao vivo que nos leva a ir a um concerto, mesmo se estamos fartos de ouvir passar o disco no leitor. Num palco tudo pode acontecer e, melhor que isso, numa plateia também. Sim, porque vale a pena lembrá-lo, um concerto não é apenas o que se passa em cima do palco, mas também e, muitas vezes sobretudo, aquilo que se passa à nossa volta. Há concertos que ficaram memoráveis mais por mérito do público do que dos artistas, não tenhamos a mínima dúvida.
