Se…

por Jorge Ribeiro e Castro

Se dessas noites, a minha alma sentisse,
a embriaguez de dias iluminados…
Se em vez de desaires, dores de dias tristes,
viessem cantos, odes à Natureza já rica
e eu já não vagueasse envelhecido,
preso às lágrimas dos amargurados…
Se os meus sonhos fossem de muitas mais cores,
aquelas nas quais se vestem os amores…
Se eu pudesse nadar esse tão longínquo rio,
vencer o mais lúgubre desafio
e conquistar os céus com as minhas dores…

Se tivesse do meu lado as ninfas que os Antigos glorificaram,
desistisse de tão vil sofrimento e todo o desespero morresse…

Se caminhasse altivo, senhor de um encanto cativo
de memórias ricas e férteis,
doces presentes onde toda a Luz fosse grandiosa
e em comunhão com a Felicidade resplandecesse…

E se eu morresse?…

Se morresse, o poema acabava
no entanto, como estou vivo, o poema continua…
Estou vivo!!!
O poema continua…

~ por benfica em Maio 27, 2007.

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